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Ética profissional e segurança das empresas

 

 

Por Adriano Filadoro*

Há alguns anos a ética profissional vem sendo levada bem mais a sério nas empresas. Não podemos negar que o exemplo veio de fora, tanto das multinacionais quanto das organizações que têm maior contato com instituições estrangeiras. Esse tipo de mudança de comportamento influenciou até mesmo na mediação dos advogados em casos de assédio moral e, mais recentemente, de quebra de sigilo dos computadores utilizados por pessoas sob suspeita.

Cada vez menos profissionais acreditam que suas ações não influenciam na performance das empresas. E cada vez mais eles estão errados. Basta analisarmos quantas perdas as empresas ainda enfrentam por causa da gestão ineficiente do acesso à internet. Antes disso, por causa da falta de ética profissional no que se refere à navegação na web.

Não podemos negar que geralmente o problema tem início no próprio código de conduta das empresas, que não determina claramente o que os funcionários e colaboradores podem ou não acessar durante o horário de expediente. Algumas organizações, principalmente as que contam com suporte terceirizado, chegam a bloquear o acesso das máquinas a sites de relacionamento, como Orkut e MSN. Mas isso só não é nem de longe suficiente para garantir que nenhum hacker invada o sistema e se aproprie dos dados pessoais do usuário e, pior ainda, da empresa.

De acordo com pesquisa do Ibope/NetRatings, o brasileiro é o campeão de acessos à internet, estando à frente de franceses, britânicos, americanos e japoneses. Esse é o tipo de recorde que apresenta um lado bom e outro ruim. Bom do ponto de vista da interação tecnológica, por exemplo, e ruim em relação aos riscos que isso representa. Principalmente, porque mais de 43 milhões de usuários não acessam a net só de suas casas, mas também do ambiente de trabalho.

Sites de relacionamento, blogs, fóruns... As pessoas muitas vezes não percebem que vão deixando rastros comprometedores por onde passam. Quantas empresas já não mandaram embora um funcionário depois de encontrar informações confidenciais circulando em comentários deixados em blogs e ambientes de discussão? E quantas pessoas deixaram de ser contratadas por causa de uma consulta simples ao seu perfil postado no Orkut?

Certamente, ainda há muito que ser discutido sobre ética profissional e segurança tanto da empresa quanto de seus colaboradores. Mas, diante de riscos tão ‘visíveis’ como os apresentados aqui, não demorará muito para que algumas cláusulas a mais venham tomar parte das normas de conduta das organizações. Do ponto de vista técnico, inclusive, será um grande passo a ser dado.

*Adriano Filadoro é consultor de TI e diretor de tecnologia da OnLine Brasil

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